quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Anita Malfatti - 120 Anos de Nascimento



  Anita Malfatti, uma mulher não só importante para o modernismo do Brasil, como importante para cada um que se permite sentir ao vislumbrar suas obras.

  Dentre as 120 obras expostas, as que me chamaram mais a atenção foram aquelas que retratavam os olhos das pessoas. A Colheita de Algodão foi para mim a pintura mais delicada da exposição. Isso decorre do fato de que tendo mergulhado na obra, pude sentir nas minhas mãos a maciez dos algodões que tocavam as mãos daquelas mulheres que ganhavam vida a cada pincelada. Eu senti que os olhos pareciam cegos por terem doado às mãos o dom de enxergar como nunca. Senti que o toque no algodão não era simplesmente um toque prazeroso. Era um toque que via cada partícula branquinha. Era um toque que dispensava o observar feito pelos olhos, que se concentrava todo e completamente no tato e visão daquelas mãos de mulheres guerreiras.
Eu senti paz. Eu me senti envolta por todos aqueles algodões...deitada no campo...de pé no CCBB.





    Além das suas obras, há uma sala disponível que passa um vídeo falando sobre a vida da artista. Vale a pena vê-lo mesmo tendo visto a exposição, já que se pode escutar a crítica do Monteiro Lobato à artista do início ao fim, visto que faltam trechos da crítica exposta na sala inicial. Percebi que algumas pessoas passaram sem dar atenção às cartas expostas de Anita dirigidas à Mário de Andrade. Nada como observar cada curvinha da letra de uma pessoa como ela. Cada curvinha das palavras especiais que disse em trechos como:

"Escrevo-te num dia violeta quente. Fiz uma grande descoberta hoje - Sei onde começa e acaba o arco-íris e o horizonte também e mais ainda achei o fim destas cousas... Começam e terminam no mesmo lugar - Todas estas descobertas maravilhosas filas de madrugada - e tudo era violeta..."

A exposição Anita Malfatti - 120 Anos de Nascimento está no Centro Cultural do Banco do Brasil (RJ) até o dia 26 de setembro, de terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada Franca!

Texto por Nathália

Um comentário:

  1. É mais incrível ainda imaginar que uma mulher com tamanha ousadia e personalidade tenha vivido em uma época opressora. As pinceladas de Anita transmitem conforto e precisão, tornando o teoricamente abstrato em totalmente real.

    As obras que mais me chamaram atenção foram os retratos pintados por Anita. Neles ela abordou seus amigos, diretores e pessoas com as quais convivia. Seria cada olhar o sentimento que cada uma daquelas pessoas a fazia sentir? Ou seria o seu próprio olhar em cada obra?

    Adorei a exposição e espero que todos que se interessam por arte possam assisti-la.

    Texto por Laura

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